ninfa e fauno
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Almanaque de Bichos que dão em Gente

INDEX

SUMÁRIO

SINTOMAS

ALHO

LARVA

ATUALIZAÇÕES

 

PESQUISA ESCOLAR

1: VERMES? MELHOR NÃO TÊ-LOS!

2: A VIDA COMENDO SOLTA

3: NÓS, ELES, SINTOMAS E REAÇÕES

4: ONDE É A FESTA E QUEM FAZ

5: ANEMIA, INFECÇÃO E INFLAMAÇÃO

6: MAS E A IMUNIDADE, NADA?

7: BACTÉRIAS

8: FUNGOS

9: VÍRUS, DENGUE E OUTRAS FEBRES

10: RICKÉTTSIAS

11: PRÍONS

12: VERMES: ASQUELMINTOS NEMATÓDEOS

13: VERMES: PLATELMINTOS TREMATÓDEOS

14: VERMES: PLATELMINTOS CESTÓDEOS

15: PROTOZOÁRIOS

 

 

 

CAPÍTULO 14: VERMES: PLATELMINTOS CESTÓDEOS
TÊNIAS, CISTOS HIDÁTICOS, ESPARGANAS, DIPLOGONOPORUS, DIPILÍDIOS, HIMENOLEPIS, BOTRIOCÉFALOS

TÊNIA, SOLITÁRIA
Taenia solium, Taenia saginata

A primeira notícia é que a solitária costuma estar acompanhada, portanto não faz jus ao nome. A segunda é que existem várias tênias. Algumas infestam cães e gatos, mas só duas, e das maiores, adotam humanos como hospedeiros definitivos – a T. solium, que tem o porco como intermediário, e a T. saginata, cujo ciclo é feito através do boi. As larvas penetram na carne desses bichos, formam em torno de si uma carapaça duríssima chamada cisticerco e ficam esperando. O capítulo seguinte se dá quando o humano come essa carne de boi ou de porco, crua ou mal cozida, contendo o tal do cisticerco. Ele resiste à mastigação e ao suco gástrico mas se rompe alegremente assim que chega ao intestino delgado do hospedeiro, deixando sair o projeto de verme, que ali se instala para crescer, amadurecer, produzir mais ovos, causar obstruções intestinais, apendicite, anemia, fraqueza, fome absurda, etc.

As tênias são achatadas, podem medir de 1 milímetro a 15 metros e invadem humanos, animais domésticos, peixes e todos os tipos de vertebrados, além de alguns invertebrados. A cabeça, ou escólex, é minúscula e tem ganchos e ventosas que servem para ela se agarrar na parede intestinal, mas não tem boca nem sistema digestivo. A absorção de nutrientes é feita por pequenas saliências em seu tecido externo, muito semelhante em estrutura e função ao revestimento do nosso intestino delgado. A tênia também não tem propriamente um corpo: de sua cabeça vão nascendo inúmeras partes autodestacáveis chamadas proglotes, na verdade ovários, cada qual com um kit sexual completo. As proglotes vão saindo do hospedeiro aos poucos, inteiras ou desmanchadas, junto com as fezes ou sozinhas. Cada uma pode conter até 40.000 ovinhos, que se espalham por onde der – chão, móveis, roupas, utensílios domésticos, lençóis, tapetes, banheiros, maçanetas, mãos, boca e sabe-se lá o que mais – na esperança de um intermediário que os engula.

Quem come peixe cru, sobretudo salmão, peixe-espada, truta e perca, também corre riscos: costumam ter cistos de Dibothriocephalus latus ou Diphyllobothrium latum, cestódeos dos peixes. Daí a importância de comer a conserva de gengibre e a pasta de wasabi junto com os sushis e sashimis: além de aquecerem a digestão com seu sabor picante, ambos têm substâncias teoricamente capazes de aniquilar larvas e cisticercos.

Muitas vezes a pessoa infectada não apresenta sintomas. Alguns sinais importantes são: dores na parte superior da barriga, diarréia, perda de peso inexplicável, fraqueza, fadiga, respiração curta, anemia – e proglotes, mais raramente ovos, nas fezes ou na roupa íntima.

Quando se usa um vermífugo contra ela, a tênia deve sair inteira – se a cabecinha ficar lá dentro, o processo de crescimento começa de novo.

CISTICERCOS
Taenia solium, Taenia saginata

Embora a tênia não incomode tanto quanto outros vermes, há sempre a ameaça de gerar cisticercose, ou seja, a infecção da carne do hospedeiro humano. Acontece porque às vezes as proglotes erram o caminho e sobem para o estômago, depois descem de novo para o intestino delgado e isso amadurece os ovos, que liberam larvas. Ou então a pessoa, inadvertidamente, ingere um minúsculo ovo, oriundo de sua própria tênia, que também se abre e libera larvas. Estas penetram nas paredes do intestino delgado e entram na corrente sanguínea, seguindo viagem para qualquer órgão do corpo, onde se estabelecem e passam ao estágio de cisticercos, chegando a um tamanho que varia de meio a vinte centímetros de diâmetro. O que isso acarreta? Depende da quantidade, do tamanho dos hóspedes e de onde eles vão parar. No olho, um só pode causar cegueira. Na espinha dorsal, paralisia. No cérebro, a neurocisticercose pode fazer lesões irreparáveis.

CISTO HIDÁTICO
Echinococcus granulosus

Ele é um cestódeo, como a tênia, de meio centímetro de comprimento, que tem três proglotes e vive no intestino delgado do cão, e até aí tudo bem. Os ovos saem pelas fezes e são ingeridos pelo hospedeiro intermediário, que pode ser qualquer vertebrado de sangue quente, incluindo humanos; abrem-se no intestino delgado e liberam larvas que atravessam as paredes intestinais e entram no sistema circulatório, por onde podem chegar a qualquer lugar do corpo, mas preferem o fígado, os pulmões e o sistema nervoso central.

Aí tudo mal: instalam-se e crescem até formar o que se chama de cisto hidático.

Cistos hidáticos podem crescer até 15 cm de diâmetro. No seu interior vivem milhares de projetos de escólex (a locomotiva do verme), cada qual com a capacidade de tornar-se um verme adulto se for ingerido pelo cachorro.

Um ou vários cistos pequenos no fígado podem passar despercebidos durante muitos anos, mas um grande leva à morte. No cérebro, as conseqüências são graves e irreversíveis. Se por azar um cisto se rompe dentro do humano, durante uma cirurgia ou numa contusão, por exemplo, milhares de novos cistos hidáticos vão surgir, espalhados por todos os lugares do corpo.

A doença se chama hidatidose.

ESPARGANAS
Spirometra erinaceieuropaei

O problema aqui é com a larva (plerocercóide) do bicho, chamada espargana, que dá no mundo inteiro. A transmissão acontece quando o humano bebe água contaminada por microscópicos crustáceos infectados ou come a carne mal cozida de algum hospedeiro secundário, que pode ser mamífero, anfíbio ou réptil: engole a larvinha junto.

Uma vez no humano, a espargana migra para qualquer tecido do corpo e cresce até 12 cm. Se estiver próxima à superfície, o caroço aparece; se não...

A patologia associada depende dos órgãos envolvidos, do tamanho e do número de esparganas. Infecções consistindo de uma ou duas esparganas na musculatura profunda podem não provocar maiores sintomas e passar despercebidas. Infecções nos olhos podem cegar, e nos tecidos subdérmicos resultam em dolorosos caroços com falso diagnóstico de câncer.

Nos Estados Unidos foram registrados vários casos de esparganose ocular em mulheres que, lidando com peixe, coçaram os olhos com as mãos contaminadas.

HIMENOLEPIS
Hymenolepis nana e H. diminuta

Os ovos dessas senhoras saem nas fezes de ratos, camundongos e humanos, seus hospedeiros definitivos, e são comidos por larvas de pulgas e carunchos, que por sua vez reinfectam ratos, camundongos e humanos que engolirem as pulgas e os carunchos.

Diferente das outras espécies de cestódeos, o ciclo de vida das himenolepis não depende de hospedeiro intermediário. Se os ovos forem ingeridos por um hospedeiro definitivo apropriado, vão amadurecer no intestino delgado e liberar uma larva (hexacanto) que vai formar um cisticerco aninhado na mucosa intestinal; este, quando pronto, move-se para a superfície do intestino (chamada de luz ou lúmen intestinal), cresce e se reproduz.

As infecções ocorrem principalmente em crianças, provocando irritação, ansiedade, insônia, dores abdominais, perda de peso, eosinofilia e mais raramente sintomas nervosos, como cianose, perda de consciência e convulsões.

DIPILÍDIOS
Dipylidium caninum

Você reconhece o Dipylidium quando vê nas fezes do gato ou do cachorro uma coisinha que parece um grão de arroz e se mexe por contrações. A coisinha não é o verme, é a proglote de um cestódeo que, cheia de ovinhos, vai pela estrada afora conquistar a vida. Larvas de pulgas e carunchos (insetos da farinha e dos cereais) comem os ovinhos, aí o cachorro ou o gato ou a criança engolem as pulgas e os carunchos e se reinfestam.

O verme pode crescer até 20 cm e se desenvolve em humanos também.

DIPLOGONOPORUS
Diplogonoporus grandis

É uma tênia de baleias e outros mamíferos marinhos, que passa através de peixe cru ou mal cozido e se desenvolve em humanos; um diplogonoporus adolescente pode ter uns 3 metros. Foram relatados mais de 200 casos recentes no Japão.

BOTRIOCÉFALOS
Diphyllobothrium latum

Esta é a tênia dos lagos, que pode medir de dois a vinte metros. Seus ovos liberam larvas que são engolidas pelos ciclopes, minúsculos crustáceos das águas paradas; em vinte dias já viraram larvas infectantes. Um peixe come o ciclope e a larva cresce dentro dele. Se outro maior comê-lo, ela continuará crescendo e se enquistando dentro do novo hospedeiro até atingir um mamífero num peixe mal cozido, para virar adulta em cinco ou seis semanas.

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