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Só dá coco! O que é, o que é? Nutritivo, gostoso, barato, faz bem e todo mundo gosta. É de comer mas também se bebe, e como. Serve a doces e a salgados, tanto verde quanto maduro. Tem gordura mas não faz mal. É cheio e vazio ao mesmo tempo. Vem de uma palmeira linda, que inspira canções e dá sombra, e cujas folhas fazem um barulhinho gostoso ao vento e brilham muito ao luar... Pois é, o coco! Já era nosso queridinho havia
muito tempo, mas agora está na crista da onda porque a ciência descobriu
mais qualidades excepcionais – principalmente em seu óleo: quando extraído a
frio, portanto virgem, é escandalosamente bom. Comê-lo ajuda a perder peso,
aumentar a imunidade, controlar a diabete, acelerar o metabolismo, reduzir
problemas de tireóide, combater infecções por protozoários, bactérias, vírus
e fungos (inclusive giárdia, hepatite C, herpes e candidíase). Estimula a
digestão e a absorção de nutrientes, nutre a pele, evita rugas, reduz o
colesterol e os riscos de doenças cardíacas, câncer e obesidade. É
antiinflamatório, beneficia os intestinos e triplica a energia física com
menos calorias que as gorduras convencionais. Os americanos falam até no "milagre do coco", que estão importando das Filipinas. E nós cheios de coco em casa! Estamos na República Livre do Coqueiro e não sabíamos! Dele se aproveita tudo -- madeira, fibra, folhas, brotos, flores, frutos, seiva. Fornece comida, bebida, álcool, vinagre, combustível, fibras para cordas e cestos, tapetes, objetos, vasos. Não é só uma planta, é um conglomerado de produção independente! Por aqui já temos óleo de coco virgem para uso culinário. Melhor: vamos de coco natural, um luxo doméstico. Coco é bom de qualquer jeito. A água do coco verde é nutritiva e refrescante, com fama de dissolver cálculos renais. Sua polpa, que começa a se formar, se come de colher. Quando já maduro, a polpa grossa é que interessa, para comer aos pedaços quando der vontade. Vale ralar e misturar na salada, no arroz já cozido, no mingau, levar à mesa em potinhos à moda hindu. Quer encantar as crianças? Corte banana em rodelas e passe no coco ralado, para pegar com palitos. Tirar leite de coco é fácil: para um coco descascado e cortado em pedaços (o revestimento marrom pode ficar), ferva de meio a um litro de água. Bata tudo no liquidificador e coe num pano de fralda, espremendo bem. Acrescente então ao ensopado de peixe, ao feijão, aos inhames cozidos -- tudo o que é bom fica melhor com leite de coco. Até café com leite, onde o coqueiro substitui a vaca. No Vegetariano Social Club, gostoso restaurante carioca, a chef Thina Izidoro inventou a sopa de abóbora com leite de coco e gengibre. A própria água em que você cozinha a abóbora (de preferência tipo hokaido, ou japonesa) serve para bater no liquidificador com o coco para extrair o leite, que depois vai ser batido com os pedaços de abóbora. Quanto? Aproximadamente um quilo de abóbora para meio coco médio. Aí você leva ao fogo novamente mas não deixa ferver, junta uma colher de chá de sal e duas colheres de sopa de gengibre ralado e espremido e serve com folhinhas frescas de manjericão por cima. Raras vezes se comerá com tanto prazer. Sonia Hirsch texto publicado na coluna
Sabores da Vida, da revista Bons Fluidos, em 2003,
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