ninfa e fauno
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Inhame inhame capa1988

bOCA FELIZ ORIGINAL1989

Boca feliz Inhame Inhame capa verde1996

capas originais
de Newton Montenegro
de Lima
em 88 e 89, mixadas por
Cesar Lobo
quando os
livretos se juntaram,
em 96,
e de novo
em 2011

texto integral, revisto e atualizado

 

capona Boca feliz Inhame Inhame 2011
 

COMER É BOM E EU GOSTO
Ninguém precisa ser naturalista para melhorar a
alimentação. Mas, afinal, o que é um naturalista?
Antigamente chamavam assim as pessoas que iam
viver nas ilhas: todo mundo morando no mato pelado,
comendo fruta, observando passarinho e convivendo com
as cobras numa boa. Mas essa moda não pegou,
e naturalista passou a ser quem come comida natural.
E o que é comida natural? Existe alguma comida que
não seja natural?

De uma forma ou de outra, tudo é tirado da natureza.
Até o plástico, que vem do petróleo, que por sua vez
vem do centro da terra, pode ser considerado natural.
Mas o plástico não se desmancha de novo. Não é como
a madeira, a casca de banana ou o corpo de pessoas
e animais, que vieram do pó e ao pó voltarão. Podem
se passar 100 anos e o plástico ainda estará do mesmo
jeito. Algumas comidas são como o plástico — não se
desmancham dentro do corpo, não se misturam com a
nossa natureza de uma forma normal nem nutrem a vida.
Aqui e ali começam a aparecer os montinhos de lixo que a
gente comeu, no sangue, nas juntas, nas células. Em volta
deles vão se instalando bactérias, vermes, fungos, e dali
a pouco tudo já virou bagunça, isto é: doença. Ou seja:
certas comidas agridem a nossa natureza, enquanto outras
se integram ao nosso corpo de uma forma completamente
natural. Por isso é que se diz comida natural.

Por exemplo, a dona Maria, lá daquele lugarejo do sul
de Minas, come comida natural. O feijão vem da roça
do Bento, o arroz quem traz é dona Fujiko, o milho e o
aipim e as verduras são ali do quintal mesmo e as frutas
aparecem conforme Deus vai dando: banana, laranja,
tangerina, jaca, mamão, jabuticaba, abacate, cada qual
na sua estação. Os ovos também são do quintal, postos
todo dia pelas galinhas que têm até nome. E se acontece
de comer um frango, um leitão, um cabrito ou uma
carne de vaca, todo mundo sabe que o animal era sadio
e bem tratado.

Dona Maria tem uma saúde de ferro.

Muito longe de Minas, lá nas bandas do Maranhão,
seu Ribamar também come comida natural: é um peixe,
uma caça, um milho, uma farinha de mandioca, um
óleo de coco babaçu, umas folhas de vinagreira cozidas
só no bafo da panela, castanha-do-brasil, banana, coco
e todas as frutas que Deus também dá por lá.

Seu Ribamar é outro que tem saúde de ferro.

Agora: o filho da dona Maria e a filha do seu Ribamar,
que foram atrás de outra vida na cidade grande e
casaram, não comem comida natural. Porque na
cidade quase nada é colhido ou criado, tudo pode ser
comprado no supermercado, enlatado, empacotado,
congelado, superconservado, já vem preparado, já vem
temperado, já vem salgado e adoçado que é pro freguês
ficar bem acostumado... Então eles comem é muito pão,
salsicha, salgadinho, macarrão, fritura, doce, biscoito
recheado, bolo, refrigerante. Sabem que não é uma
comida decente, mas vão comendo assim mesmo.

A saúde deles é fraca. Sentem dor de cabeça, acordam
cansados, se irritam com facilidade, volta e meia estão
com gripe. A filha do seu Ribamar tem prisão de ventre
e está engordando muito, o filho da dona Maria sente
uma queimação no estômago que parece úlcera.
E Júnior, o filhinho, que só tem três anos, vive dando
entrada no hospital por causa de asma.

Nós somos o que comemos. Assim como uma árvore
precisa de terra boa para crescer e dar frutos, gente
precisa de alimentos bons para ser feliz.

O filho da dona Maria e a filha do seu Ribamar não
veem que a comida fraca está sabotando sua felicidade.
E você, como é? Já parou pra pensar se a sua comida
está ajudando ou atrapalhando a sua vida?

 

brocas  

 

UM GRÃO DE TRIGO
pode valer mais que um grão de ouro – porque o ouro só
serve para ser trocado por outra coisa, enquanto o grão
de trigo, sozinho, é capaz de criar vida na terra e produzir
quilos e quilos de grãos iguais a ele. Desse trigo, moído, é
que a humanidade aprendeu a fazer a farinha, a massa, o
macarrão; fermentou, assou, fez pão.

Pão integral é um dos símbolos da alimentação natural.
A farinha usada para fazê-lo é grossa, cheia de farelo. Dali
sai um pão escuro, consistente, com sabor intenso. Além
de ser mais nutritivo do que o branco, suas fibras ajudam
o intestino a funcionar e isso é muito valorizado por quem
quer cuidar da saúde. Mas qualquer pão tem um problema:
fermenta. Por isso, do pão, pouco.

O trigo é usado quebradinho pelos árabes, no tabule e no
quibe – fica de molho apenas para inchar e amaciar. Na
cozinha oriental, o grão entra inteiro em sopas e papas.
Árabes e hindus fazem o pão sem fermento.

Glúten é a proteína do trigo, justamente a que se ativa ao
amassar o pão. Nas últimas década tornou-se suspeito de
provocar reações de intolerância e muita gente passou
a evitar o trigo.

 

bocafeliz04  

 

NINGUÉM COSTUMAVA COMER AÇÚCAR
em 1500, quando o Brasil foi descoberto. Aliás, nem
existia cana-de-açúcar por aqui. Foram os portugueses que
trouxeram as mudas, depois de conhecer a doce rapadura
lá no caminho das Índias – e adorar. Mas era uma coisa
tão cara, tão cara, que só ricos podiam comprar. Pra você
ter uma ideia, em 1630 um boi gordo custava 11 moedas
de ouro, e cem gramas de açúcar custavam 12. Quer
dizer, uma xícara de açúcar valia mais que um boi. Hoje,
qualquer pessoa come fácil mais de cem gramas de açúcar
por dia. Ficou banal, porque os fazendeiros, usineiros,
comerciantes e governos acabaram conseguindo meios
de produzir muito açúcar a preços baixíssimos. Primeiro
trouxeram escravos, arrancados de suas próprias casas
na África, para trabalharem nas plantações de cana e
nos engenhos até morrer de cansaço ou pancada. Depois
inventaram máquinas para obter açúcar em pó em vez de
pedras de rapadura. Para fazer açúcar, primeiro se ferve
o caldo da cana até virar melado; apurando o ponto, o
melado cristaliza em forma de rapadura; refinando, se
obtém açúcar branco.

Melado e rapadura têm ferro e cálcio, que fortalecem o
sangue, os ossos e o sistema nervoso. Já o açúcar branco
não vale nada. É só um cristalzinho doce que não tem
nada que sirva para alimentar gente ou bichos. Dá uma
onda de calor que passa logo e deixa a pessoa mais fraca.
Quanto mais açúcar, maior o risco de doenças graves
como diabete, câncer, enfarte. Fora as mazelas de todo dia,
como dor de estômago, de cabeça, de barriga,
cáries, espinhas...

Açúcar no leite, no café, no suco, na geleia, no
refrigerante, no sorvete, no pudim, no chocolate,
no refresco, no doce, na bala, no bolo, no biscoito e até no
coitado do pão: muito açúcar todo dia. WWPara começar,
cria no corpo um ambiente muito gostoso para vermes,
bactérias e fungos, do mesmo jeito que o açucareiro aberto
atrai baratas, ratos e formigas. Como é muito concentrado,
prejudica o estômago, o pâncreas, o baço, os rins e os
intestinos. Nosso sistema de defesa gasta reservas de
vitaminas e sais minerais tentando neutralizar o excesso
de açúcar, mas raramente consegue. Por fim, esse excesso
se acumula no corpo em forma de gordura (por isso é que
o açúcar engorda) e afeta até mesmo a nossa capacidade
de pensar com clareza.

Nem tudo o que é gostoso faz mal. Mas açúcar, além de
fazer mal, vicia. Tente largar para ver como é difícil.
Outro problema ligado ao excesso de açúcar são os
vermes e fungos que normalmente nos habitam em
pequena quantidade mas proliferam deliciados quando há
mais açúcar na área. Quem sente muita ânsia por doces
geralmente se alimenta mal e não tem uma boa imunidade.
Seria bom pensar em tomar um vermífugo polivalente
duas vezes por ano, uma delas nos meses que não têm r:
maio, junho, julho, agosto.

Você sabia que dá para fazer doces deliciosos usando
apenas a doçura natural das frutas?

 

macaquinho

 

 

A GALINHA DO VIZINHO
bota ovo amarelinho, bota um, bota dois, bota três, bota
quatro, bota cinco, bota seis...

Galinha de quintal todo dia namora o galo e bota ovo no
ninho; depois de umas três semanas deita em cima para
chocar e dali a algum tempo começam a sair os pintinhos.
Toda prosa, D. Galinha vai passeando com eles pelo
terreiro, ensinando a ciscar, a achar minhoca, a bicar
quirera de milho e de arroz, a beber água. Quando eles já
estão grandinhos, ela começa a namorar e botar ovos de
novo para chocar mais pintinhos.

São ovos de casca forte, a gema quase cor de abóbora.
Alimento do bem, que nutre, fortalece, evita doenças.
Ah, mas não aumenta o colesterol? Não, minha senhora:
esse mito já desabou há muito tempo. Ovo caipira, em
geral, faz bem.

Agora, esses ovos comuns, você sabe como
são produzidos? Nascem os pintinhos e, quando já dá
pra separar as fêmeas dos machos, a ração delas muda:
ganha produtos químicos que agem como hormônios
e aceleram os ovários. Elas então amadurecem à força
e começam a pôr muitos ovos – dois ou mais por dia.
Nunca fazem uma pausa para chocar e criar pintinhos.
Também, nem têm galo pra namorar. Vivem em gaiolas,
não pegam sol, jamais passeiam para ciscar e comer
minhoca. Tomam montes de vacinas e antibióticos
para não ficarem doentes. Lá pelas tantas não dão mais
nada; aí vão para o abatedouro.

 

demoiselle

 

 

Esses ovos feitos com antibióticos e substâncias químicas
são os mais baratos do mercado. Essas galinhas e seus
frangos tristes, criados à base de drogas, são praticamente
animais artificiais. O tal do chester, então, é mais artificial
ainda— uma raça criada em laboratório para dar mais lucro.

Na alimentação natural a pessoa se preocupa com isso,
procura conseguir frangos e ovos de quintal. Mesmo
que consiga só de vez em quando, está bom. Afinal,
ninguém precisa mesmo comer frango e ovos todo dia.

principe hindu

 

 

A COMIDA DE TODO DIA,
no Brasil e em muitos lugares do mundo onde há fartura,
é feijão com arroz, vegetais frescos, um pouquinho de
carne ou ovo se tiver. É uma combinação equilibrada se as
porções de arroz e feijão não forem muito grandes.

Para os vegetarianos, a base da refeição é algum tipo de
cereal em grão (como arroz e quinoa), flocos (como aveia)
ou farinha (como macarrão, pão, angu). Para acompanhar,
entra o nosso amado e idolatrado salve-salve feijão!, que
também pode ser grão-de-bico, lentilha, ervilha, etc.

Legumes e verduras completam o fornecimento de
vitaminas, minerais, fibras e outras delicadezas de nomes
estranhos (vanádio, molibdênio, selênio) sem as quais o
corpo, a cabeça e as emoções começam a dar defeito.

O que chamamos vagamente de "legumes e verduras",
na verdade são vegetais de tipos diferentes: os que
crescem para baixo da terra, os que crescem para cima,
os que dão frutos, os que dão grãos.

Para baixo crescem as raízes – cenoura, bardana,
nabo e rabanete compridos.

À flor da terra crescem os bulbos – beterraba, nabo
redondo, rabanete comum, alho-poró, funcho,
aipo/salsão, alho, cebola.

A um palmo abaixo, os tubérculos: batata-doce,
batata-inglesa, cará, aipim (que em São Paulo se chama
mandioca e no norte é macaxeira), batata-baroa (que no
sul é mandioquinha ou batata-salsa). Também o inhame,
que já não é tubérculo, é cormo. E os rizomas, como
gengibre e cúrcuma (açafrão-da-terra).

Da terra para cima crescem as verduras de folha: couve,
repolho, mostarda, alface, agrião, almeirão, serralha,
bertalha, espinafre, acelga, taioba, caruru, beldroega,
coentro, hortelã, salsa, cebolinha, jambu, vinagreira,
mastruço, ora-pro-nóbis, chicória, bredo e tantas outras!

Crescem também por cima da terra as plantas que dão
frutos – rasteiros, pendurados, espetados para cima:
abóbora, abobrinha, chuchu, pepino, maxixe, jiló,
berinjela, tomate, pimentão, quiabo.

Os cereais são as sementes de tipos diversos de capim
que dão espigas nas pontas.

Feijões & cia são sementes dentro de vagens, secas ou
não, e só eles têm direito ao nome "leguminosas".

E o que vem dos animais? Carne, aves, ovos, peixe,
leite, queijos: pouco é remédio, muito é veneno.

Gorduras e produtos animais fazem parte do
cardápio da maioria dos povos, quando disponíveis,
e são valorizados por serem alimentos densos, que
emprestam uma energia concentrada. Mas muitas
doenças também podem ser resultado de uma
combinação entre o excesso de carne, ovos, laticínios,
gordura animal e falta das fibras alimentares vegetais.
As fibras limpam.

Veganos se recusam totalmente a comer produtos
animais. Vegetarianos comem, mas só se não for
matéria morta: leite, queijo e manteiga, mel e ovos, tudo
bem. Acham que não devemos matar para comer se a terra
já nos dá tanto alimento.

Onde a cultura é forte e existe tradição, todo mundo come
como sempre comeu. Nas grandes cidades, onde a tradição
foi perdida, a escolha da alimentação é muito pessoal.
Cada um deve comer aquilo que o faz sentir-se melhor.
No fim, o grande segredo está no autoconhecimento:
quem não se conhece se engana.

Quando quiser preparar uma refeição equilibrada,
lembre de três coisas: vegetais frescos são
fundamentais para a refeição, um prato colorido
enche a pessoa de vida, a variedade de sabores
pode garantir a saúde.

Um cardápio equilibrado deveria ter 5 porções de vegetais
variados, 1 porção de cereais, feijões, batatas ou massa
e 1 porção de carnes ou ovos, se for o caso. Se o almoço
tiver proteína animal, a janta pode ser só de vegetais.
A digestão fica mais leve, o sono melhora. Além disso,
comer muito à noite engorda.

Cereais e feijões precisam ser bem cozidos, mas outros
vegetais perdem a vitalidade das enzimas quando
aquecidos por mais tempo. Por isso vale a pena insistir
nas saladas quentes crocantes. Assim: corte em palitos ou
fatias finas quatro ou cinco vegetais de tipos diferentes
– pepino, rabanete, cenoura, yakon, aipo, abobrinha,
repolho, couve-chinesa; passe rapidinho na frigideira
quente, sobre um dente de alho amassado com azeite,
só até as cores ficarem brilhantes; está pronta.

As cores e os sabores também revelam diferenças na
energia dos alimentos. Um prato de comida fica mais
bonito, completo e satisfatório se tiver várias cores –
branco, amarelo, verde, vermelho, marrom – e todos
os sabores: doce, salgado, ácido, picante, amargo.
Os sábios chineses já dizem há milênios que é preciso
saber misturar os sabores para ter vitalidade no corpo,
na mente e no espírito.

Geralmente exageramos no salgado e no doce,
deixando de lado o ácido (do limão), o amargo
(do jiló, das verduras como chicória e rúcula) e o
picante (do nabo, do gengibre, da cebola crua, do alho).
E é bom variar as cores. Sem ficar só no marrom
(feijão, carnes cozidas) e no branco (pão, arroz, macarrão,
açúcar, leite, laticínios), abrir espaço no prato e na boca
para o verde-escuro, o verde-claro, os amarelos, cor de
abóbora, vermelhos, roxos...

 

boca do sábio

 

 

AGORA,
uma coisa que nem todo mundo sabe: a gente joga fora justamente as folhas que alimentam mais. As folhas do aipim (macaxeira, mandioca mansa) e da batata-doce são alimentos riquíssimos em vitaminas e sais minerais. Dê uma olhadinha na tabela para comparar:

100 gramas mg ferro mg
vit A
folha de aipim 7,6 1960
folha de batata-doce 6,2 975
caruru 5,6 530
mostarda 3,0 700
espinafre 3,3 585
salsa 3,1 607
serralha 3,1 480
bertalha 1,6 582
ora-pro-nobis 3,6 250
taioba 2,0 300
couve 1,0 650
alface 1,3 87
repolho 0,7 10
     

As folhas de nabo, rabanete, cenoura, beterraba, couve-flor e brócolis também são ótimas para comer, com talo e tudo. A pessoa que se alimenta de verduras frescas nunca vai ter problemas de anemia, pois seu sangue será rico em ferro, nem está arriscada a perder a visão, como os que têm deficiência de vitamina A. Com mais um detalhe interessantíssimo: todas essas folhas ajudam o intestino a funcionar bem. Não é ótimo?

Em geral, as verduras podem ser comidas de várias formas: cruas, ligeiramente cozidas no vapor, aferventadas, refogadas num tiquinho de óleo ou mesmo só murchinhas na quentura da panela. Ficam gostosas também quando você mistura folhas cruas com sal, amassa com as mãos, espreme e corta. Se ainda achar salgado, passe na água e torne a espremer.

Mas atenção: a folha do aipim tem um componente venenoso, o ácido cianídrico, que só é neutralizado pela fervura ou pela secagem. Por isso a maneira mais prática de obter toda a riqueza da folha do aipim é: secar na sombra (se for no sol ou no forno, ela perde a vitamina C), transformar em pó (com as mãos, no pilão ou no liquidificador), peneirar, guardar num vidro tampado e usar uma pitadinha em tudo o que for cozinhar.

Atenção também quando fizer espinafre — ele deve ser comido na hora; depois de algum tempo fica ácido demais e faz mal. Por isso é péssima idéia fazer pastéis, esfihas e tortas de espinafre.

 

sorriso linus

 

 

OUTRA COISA
que a gente joga fora sem pensar é a casca do ovo, que
é puro cálcio. Cólicas, cãibras, insônia e nervos à flor
da pele podem ser sinais de carência. E toda mulher, dez
dias antes da menstruação, começa a precisar mais dele.

Preparo: lavar bem as cascas dos ovos e amassá-las.
Ferver por 20 minutos e lavar bem para retirar a espuma
branca. Deixar de molho por 30 minutos em 1 litro de
água para uma colher de (sopa) de hipoclorito ou água
sanitária. Secar ao sol ou ao forno. Liquidificar ou pilar.
Passar em pano bem fino para ficar como talco (usando
máscara, por higiene e para não aspirar o pó).

Usar uma colher/chá por dia em sumo de limão
– esperar ferver (como um comprimido efervescente)
e tomar. Ou deixar em vinagre por duas ou três horas
antes de usar. O ácido facilita a liberação do cálcio.
Adicionar a sopas, mingaus, farofa, paçoca, bolo.

Folhas verde-escuras ricas em cálcio: bredo, folha de
abóbora, caruru, couve, folha da mandioca (em pó),
mastruço, nabiça, vinagreira, coentro, salsa.

E o leite, não tem cálcio? Tem. Mas não é fácil de
assimilar. Quando a pessoa fica com gases, alergia, rinite,
problemas de fígado, ou sente a boca seca depois de
beber leite, é melhor procurar cálcio num alimento mais
apropriado para gente. Gente não é bezerro, é?

 

boca sombra

 

 

AI, AI, MAS TEM MUITO BEZERRO
comendo melhor do que gente. Você conhece aquele
farelinho de trigo que é vendido nas casas de ração?
E aquele farelinho de arroz que também dão para porcos
e galinhas? Pois então fique sabendo que eles são mais
nutritivos do que a maior parte da cesta básica. Não
existiria mais fome no Brasil se todo mundo pudesse
comer ao menos o que o gado come. E a razão disso é
muito simples. Como já sabemos, o moinho mói o trigo
e peneira muitas vezes a farinha para torná-la bem branca
e fina. O que sobra na peneira? Farelo e germe de trigo.
Uma parte é separada para vender nas lojas de produtos
naturais, a outra vira ração. Mesma coisa na máquina de
"beneficiar" arroz. O arroz chega lá integral, com aquela
película onde estão todos os minerais e vitaminas, e sai
de lá despelado, lixado, empobrecido, branco. O que
sobra é o farelinho, melhor coisa que existe para
engordar porco e galinha.

Pois a pediatra e nutróloga Clara Brandão, com seu
então marido também médico, estudou o assunto e
resolveu utilizar os farelos para ajudar na alimentação
das crianças desnutridas de Santarém, no Pará.
Bebês com três meses de idade parecendo recémnascidos
prematuros começaram a tomar mamadeira feita
assim: leite, farelo de arroz ou de trigo, fubá, farinha de
mandioca, pó da folha do aipim, pó da casca do ovo e uma
colher de óleo de cozinha depois de apagar o fogo.

Os resultados foram impressionantes. Em pouco
tempo pareciam outras crianças. Gordas, cabelos e
olhos brilhantes, reflexos perfeitos, sorriso em vez de
sofrimento. Tanto que as creches ligadas à LBA e à
Pastoral da Criança começaram a usar esse sistema pelo
Brasil inteiro, e ao longo de trinta anos muitas vidas já
foram salvas com essa alimentação alternativa.

Clara reparou que os adultos também se alimentavam mal.
De manhã, um café puro ou com leite, pão com margarina,
e só. É claro que duas horas depois estavam com fome.
Naquela região era tradicional comer mingau ou cuscuz
de manhã, e a médica começou a sugerir que voltassem
à tradição, adicionando farelo de arroz ou trigo à massa
convencional de fubá e leite. Como a receita estava dando
bons resultados com as crianças, os adultos resolveram
tentar. E realmente se sentiram mais fortes e bem
alimentados, sem fome até a hora do almoço.

Foi uma pequena mas importante revolução na vida de
toda a comunidade. E o melhor veio depois. Fazendo as
contas, viram que uma família de seis pessoas gastava
60% do salário mínimo só com as despesas de café, leite,
pão, margarina e açúcar. Com a volta do mingau e do
cuscuz, a despesa diminuía para 20%. Sabe quanto isso
representa de economia por ano? Quase cinco salários
mínimos, só no café da manhã, e com mais saúde.
Quem não quer?

 

boca japonesa

 

 

TUDO O QUE ENTRA
de alguma forma tem que sair. O que a gente come se
transforma e aparece em algum lugar. As vitaminas dão
brilho aos olhos e cabelos, luminosidade à pele, alegria,
vitalidade; as porcarias saem como espinhas, furúnculos,
coceiras, mau hálito, mau humor, dor de cabeça.

E se os nossos principais canais de saída não estiverem
funcionando bem, a gente entope. Que canais são esses?
Os intestinos, que eliminam os restos sólidos; os rins e a
bexiga, que eliminam os restos líquidos; a pele, por onde
sai o suor com toxinas e cheiros, bons e ruins.
Quando os intestinos estão cheios demais e o que tem
de sair não sai, a gente chama de prisão de ventre. É
um problema constante para quem come comida pobre
em fibras: ela endurece a massa de fezes e faz o trânsito
emperrar. Dá sensação de entupimento, dor de cabeça,
irritação e tendência a ficar doente por causa das toxinas
acumuladas.

O farelo de trigo e o farelo de arroz, ricos em fibras,
geralmente resolvem a questão rapidinho. E se a pessoa
estiver comendo bastante vegetais fibrosos,
melhor ainda. Essa fibra não se desmancha na digestão e
quando chega aos intestinos começa a ser trabalhada pelas
bactérias que moram lá. Isso produz fermentação e torna
as fezes mais leves, ajudando-as a deslizar pelo enorme
tubo intestinal (nove metros!). Todos os talos macios de
verduras como agrião, brócolis, espinafre, bertalha, aipo,
chicória, acelga etc são bons de fibra.

Flocos de aveia, arroz integral, trigo e milho também
são ricos em fibras. A cevada, que parece muito com
arroz, é uma grande faxineira dos intestinos e vivia
sendo receitada por Hipócrates, o pai da medicina, como
remédio. Taí um seguro de saúde bom e barato – quem
tem intestinos limpos não costuma ficar doente.

Os rins e a bexiga eliminam as sobras líquidas, e para
funcionarem a gente precisa beber água. Entre as refeições,
que é para a água ir lavando os resíduos orgânicos que
sobram do processo de digestão.

Normalmente se indica beber no mínimo dois litros
de água por dia — contando com os outros líquidos,
é claro. E dando preferência à água fresca, de filtro
de barro com velas. Água gelada sempre dá um choque
na temperatura natural do organismo, que é quentinha,
perturbando uma série de processos de
circulação e digestão.

A qualidade da água também é importante. Se não for de
fonte, purinha, é preciso filtrar, ferver ou esterilizar ao
sol. Conhece este método? Basta colocar a água, mesmo a
mais contaminada, dentro de uma garrafa limpa de vidro
branco ou azulado, ou saco plástico transparente, e expor
ao sol forte durante no mínimo duas horas. Se puder ficar
o dia inteiro, é ainda mais seguro. Os raios ultravioleta do
sol matam todos os microrganismos.

 

boquinha desenhada

 

 

BEM, JÁ ESTAMOS ÍNTIMOS
da comida mais natural; agora falta encarar de frente
outros quatro elementos que assaltam a saúde da gente
todo dia: sal, gordura, café e álcool.

Sal
o exagero faz subir a pressão, prejudica os rins, deixa
a pessoa tensa e nervosa, prende o intestino, ameaça
o coração, dá mau humor. Cuidado com temperos
prontos onde o sal está embutido. Por exemplo, molho
de soja: além de ser muito salgado, costuma ter MSG,
monoglutamato de sódio, excitotóxico para os neurônios.

Gordura
é importante para todos os tecidos e tem que ser boa, pois
muitas células e funções dependem dela. Se for pesada,
excessiva, afeta circulação, coração, fígado, vesícula,
pele, digestão. Em pequena quantidade se pode usar até as
gorduras tradicionais, como banha de porco e manteiga, ao
lado dos mais leves azeite de oliva virgem ou extravirgem,
óleo virgem de coco e similares.

Frango e galinha caipiras, fervidos longamente em fogo baixo
para obter caldo, liberam uma gordura benéfica que
não deve ser retirada. Todas as carnes gordas deveriam
ser preparadas em baixa temperatura, para a gordura
derreter sem fritar, especialmente a de porco. Faz mal a
gordura reutilizada, ou que fica aquecida muitas horas na
fritadeira; o óleo vegetal barato e a margarina usados em
doces e salgados, em casa e nos restaurantes. O grande
defeito da comida fora de casa costuma ser a gordura.

Café
é um estimulante poderoso. Um ou dois cafezinhos por
dia podem cair muito bem; acima disso, a cafeína começa
a se acumular e faz perdermos vitaminas e sais minerais.
O excesso de estímulo afeta o sistema nervoso, produz
ansiedade, aumenta o suor e a urina, irrita a mucosa
gástrica, sobrecarrega o coração. Olho nele.

Álcool
também rouba vitaminas e sais minerais, prejudica muito
o fígado e, como se sabe, vicia. Não quer dizer que não se
tome uma cerveja, um vinho. Prazeres são parte da vida e
da comida. É tudo uma questão de bom senso.

 

meio sorriso

 

 

POIS É, ENTÃO VAMOS
às receitas. Mas antes, diga lá uma coisa: a boca
está feliz? Como vão os dentes? E as gengivas?
Você mastiga bem?

Mastigar a comida tem várias funções. Uma é triturar o
alimento, outra é produzir saliva e sucos gástricos para
ele amolecer e começar logo a se transformar, ainda na
boca. Outra função é saborear — identificar, reconhecer
e ter prazer com aquele sabor, aquela textura, aquela
consistência. Quem come correndo e engole sem
mastigar não curte verdadeiramente a comida.

Os dentes são nossos instrumentos de mastigar. Têm
que estar em boas condições. Uma boca cheia de cáries
é sinal de que alguém está autorizando as bactérias
a furarem seus dentes. Primeiro porque come doces,
bebe refrigerantes ou chupa balas ou toma cafezinhos
doces entre as refeições. Segundo porque não escova
os dentes direito. Quem está lá de novo? O açúcar,
esse péssimo companheiro. Deixa um tipo de grude
na boca que é ótimo para a multiplicação das
bactérias da cárie.

Bactéria de cárie é bichinho porco. No mesmo lugar em que
come o grude ela faz cocô, cria toxinas, etc, etc.
Você já viu ferrugem: começa num pontinho, vai se
espalhando e toma conta do ferro todo. Isso poderia
ser evitado logo no início, com uma boa lixa e a tinta
adequada. Com as cáries é a mesma coisa. Quando não
se escova os dentes à noite, você já reparou como de
manhã eles acordam ásperos, peludos? Pois é a tal da
placa bacteriana que já está lá, se instalando, igualzinha à
ferrugem. É ela que se tem que limpar bem com escova e
fio dental. A pasta só serve para dar um gostinho. Quem
faz o serviço pesado, quem executa a faxina, é a escova.
Dente bem escovado fica lisinho.

As gengivas protegem os dentes. Firmes, cor-de-rosa e
bem coladas neles, estão saudáveis. Vermelhas, moles,
inchadas, guardando resíduos e sangrando por qualquer
coisinha, estão doentes. Produzem mau hálito e são uma
péssima referência dos cuidados que a pessoa tem consigo
mesma.

O tártaro e a placa bacteriana podem liberar no sangue
bactérias que acabam afetando o coração.

 

meio corpo

 

 

DICAS DA BOA BOCA
Coma seus doces na sobremesa, não entre as refeições.
Cada vez que o açúcar passa pela boca faz um estrago,
mesmo que seja só um tiquinho. Mas depois da refeição
a boca ainda fica uma hora ou mais sendo lavada pela
saliva da digestão, por isso o estrago é bem menor.

Evite tomar refrigerantes e bebidas açucaradas.

Por que botar açúcar na mamadeira do bebê? Ele ainda
é todo purinho, não tem vícios, e está acostumado com
o leite natural da mãe – cuja doçura é quase nenhuma.
O leite já tem seu próprio açúcar, a lactose. Se você
adoçar a mamadeira, o bebê vai se habituar; se não
adoçar, ele vai mamar do mesmo jeito e ter mais saúde.
Já viu como os dentes da criança que toma mamadeira
doce são cariados? Principalmente os da frente, porque é
comum a criança dormir com a mamadeira na boca.

 

boca com bigodinho  

 

Procure passar o fio dental e escovar os dentes ao
menos uma vez por dia, antes de dormir, olhando no
espelho para prestar atenção.

Os dentes das crianças até sete anos têm que ser
escovados pelos mais velhos, ao menos três vezes por
semana. O melhor jeito é deitar a cabeça da criança no
colo para poder limpar bem os dentes de trás.

Prefira as escovas pequenas, de consistência média
(nem macias nem duras), para crianças e adultos.
Um tiquinho de pasta do tamanho de uma lentilha é
suficiente para todo o serviço, e não pode engolir.

 

boca negra

 

 

Escove só os dentes, não as gengivas! A escova deve
pegar os dentes de quina, tanto por dentro quanto por fora.
Para escovar a parte interna dos dentes da frente, use a
ponta da escova, segurando na vertical.

Os dentes gostam de morder maçãs, cenouras, goiabas e outros alimentos mais durinhos, que também massageiam as gengivas. Os ossos precisam de exercício para serem fortes, os dentes precisam mastigar bastante para serem firmes.

 

boquinha mínima

 

 

Melhor prevenir do que remediar. Se os seus dentes
estão bons, os cuidados com a alimentação e a higiene
vão garantir conforto por muito tempo.

Se existem pequenas cáries que não incomodam,
evitar o açúcar e escovar direito vão impedir que elas
aumentem. Às vezes o mau dentista faz um buracão
onde só tinha um buraquinho.

Dente que dói com coisa quente ou gelada pode estar
mal por dentro, mesmo que não esteja cariado; é bom ir
logo ao dentista.

E se houver algum dente arruinado é essencial tratar,
porque ele infecciona o sangue e causa doenças.

RECEITAS

lábios carnudos

 

 

Arroz integral
É o alimento mais importante da comida natural,
justamente por ser o cereal que a gente consome quase
todo dia. Deve ser cozido somente com água e sal, sem
refogar. Mas você pode tostar o arroz na frigideira antes
de cozinhar que ele fica bem solto e gostoso.

Medidas: para cada copo de arroz, 2 ¼ copos de água e
uma colher de café de sal.

Abaixe o fogo depois que ferver e tampe bem a panela,
de preferência grossa, de barro, pedra ou ferro. Leva
mais ou menos 40 minutos para ficar pronto. Se precisar,
acrescente água.

Para as crianças e pessoas que não conseguem mastigar
direito você pode cozinhar o arroz integral com mais
água para ele ficar bem macio; não vale a pena bater no
liquidificador porque se perde muita fibra.

Boquinha Kat

 

 

Gersal
É uma paçoca feita de gergelim com sal, muito boa para
servir por cima do arroz. Ponha na frigideira 14 a 16
colheres de sementes de gergelim e toste só um pouco,
mexendo sempre; estarão boas quando você puder
esmagar as sementes entre os dedos; cuidado para não
queimar. Junte 1 colher de sal marinho e soque no pilão
ou bata rapidamente no liquidificador, de modo que fique
uma paçoca grossa.

Use uma colher de chá para cada porção de arroz.

O gergelim contém proteínas, vitaminas e
óleo de alta qualidade. Pode ser marrom ou preto.
Se na sua região existem casos de bócio (papo), use sal
iodado em vez de sal marinho; o iodo evita o bócio. Se
você mora perto do mar, provavelmente não corre esse
risco, então pode usar sal marinho (sal natural do mar,
moído, sem refinar) que é mais rico em minerais.

 

boquinha de lado

 

 

Massa de torta
Misture duas partes de farinha de trigo integral com
uma de farinha branca; junte sal e óleo até a massa dar
consistência; deixe descansar um pouco se quiser que
ela fique mais leve.

Experimente também misturar uma parte de farinha de
trigo integral com uma de farinha branca e uma de fubá.

 

boquinha Cath

 

 

Pão integral de massa fermentada
Esta é a receita de pão integral mais simples que existe.
De noite você mistura 2 xícaras de farinha integral com
água suficiente para obter uma papa mole. Na manhã
seguinte a mistura deve ter fermentado. Então você
acrescenta 3 xícaras de farinha, 1 colher de chá de sal,
1 colher de sopa de óleo e amassa tudo muito bem,
juntando mais farinha se for o caso.

A consistência da massa deve ficar igual à do lóbulo da
orelha. E quanto mais você amassar, melhor será o pão.
Unte uma fôrma, ponha a massa, deixe crescer até o fim da
tarde; asse em forno preaquecido durante uma hora e meia;
dentro do forno coloque também uma latinha com água,
cujo vapor não vai deixar a crosta do pão endurecer.

Vale a pena usar água de fonte ou mineral para fazer estes
pães — o resultado é muito superior ao que se consegue
com água da torneira, devido ao cloro. Lembre-se de que
estamos procurando qualidade!

Esta mesma massa serve para fazer pão doce
(recheando com algum doce de frutas depois da última
amassada e antes do pão crescer, é claro), pãezinhos,
minipizzas, pão de frigideira.

 

boquinha rindo

 

 

Feijão bem temperado
Na alimentação natural, em que entra pouca carne,
é importante comer um tipo qualquer de feijão todos
os dias, variando sempre. Um dia é mulatinho, no outro
é lentilha, fradinho, feijão-preto, e assim vai.

Duas coisas fundamentais para o feijão fazer bem:
deixar de molho durante a noite e temperar. O feijão
que fica de molho é mais fácil de digerir, dá menos gases.
E os temperos, além de dar gosto, têm justamente
o poder de facilitar a digestão.

Cozinhe o feijão só com água, jogando fora a da primeira
fervura. Quando estiver macio, refogue um pouco de alho
ou gengibre, cebola, cominho e coentro moídos; misture
com uma parte do feijão, amasse, deixe refogando um
pouco e devolva à panela; ponha então o sal e cozinhe
mais dez minutos. Quando apagar o fogo esprema um
tanto de limão por cima, que fica gostoso
e ajuda a absorver o ferro que o feijão contém.

casal dançando  

 

Farofas de tudo
Todo mundo sabe fazer uma farofa: basta refogar alguma
coisa, que pode ser só alho ou uma boa mistura de cebola,
ovos e vegetais picadinhos, e acrescentar farinha de
mandioca. O que nem todo mundo sabe é que a aveia
em flocos também dá farofas deliciosas e muito mais
nutritivas.

Uma receita: toste numa panela uma xícara
de aveia em flocos até dourar, mexendo sempre para não
queimar; refogue uma cebola em rodelas num pouco de
manteiga; ponha sal, junte a aveia apertando bem nas
cebolas e sirva acompanhando um bom feijão. Hmm!

Experimente também fazer farofas com germe de trigo
e com farinha de milho pré-cozida — ficam deliciosas.
Detalhe: quando fica rançoso, o germe de trigo intoxica
pra valer. Por isso é bom torrar e usar logo.

 

boquinha baton

 

 

Inhame
Por incrível que pareça: feio e cabeludo, o inhaminho é o
primo rico da batata. Gostoso, nutritivo, faz tudo o que a
batata faz e ainda por cima limpa o sangue, protege contra
malária, dengue, febre amarela e uma porção de coisas
mais que a batata não faz.

Sempre que puder, substitua a batata-inglesa por inhame,
cará, batata-doce, inhame-do-norte, aipim (mandioca).
Sua saúde vai sair ganhando e a de toda a família também.

 

boca japonesa 2

 

 

Sopas
São uma forma fantástica de pôr boas coisas para dentro.
Não só aquelas sopas fresquinhas que você faz na hora,
misturando vegetais de vários tipos e cores, como também
aquele caldo que fica de plantão na geladeira esperando a
vez e que pode ser feito aproveitando os legumes que já
estão meio velhos. Ele deve ferver uns quarenta minutos e
ser coado; sirva com macarrão cozido, verduras, sobras do
almoço - ou sozinho, um consomê.

Muito forte é a sopa feita com ossos, de boi, peixe ou
galinha. Se tiver, aproveite o tutano.

Também o caldo em que se desmancha um ovo de quintal
é fortificante. Se o ovo passar por uma peneira
ou coador, fica bonito, à moda chinesa.

Esse caldo pode ser engrossado com farinha de trigo
integral ou aveia em flocos para ganhar mais sustança, digo,
substância. E para dar frescor a toda sopa, espalhe por cima,
na hora de servir, salsinha, hortelã ou coentro.

Uma sopa muito forte se faz com cebola refogada, fubá
e vários tipos diferentes de folhas verdes acrescentadas
quase na hora de apagar o fogo. É a multimistura de
folhas, criada pelos médicos Clara e Rubens Brandão
para dar um reforço na qualidade do sangue.

 

tocando flauta  

 

Multimistura
O princípio da multimistura é o seguinte: a qualidade
depende da variedade.

Se você faz uma sopa com fubá, osso e couve, ela vai
ter muito menos elementos nutritivos e, portanto, menos
qualidade do que se você juntar cebola, salsa, serralha,
folha de batata-doce, chicória, almeirão, espinafre, caruru,
taioba e o que mais tiver à mão, tudo bem picadinho, e
sem esquecer o pó da folha do aipim.

Essa multimistura de folhas pode ser refogadinha e
acrescentada ao angu, fica deliciosa. Pode ser servida pura
também: cozinhe ligeiramente no fundo da panela, ponha
um tiquinho de sal e umas gotas de limão depois de apagar
o fogo. Pode servir de ninho para cozinhar um ovo, ou
entrar numa fritada ou omelete. Pode enriquecer a sopa na
última hora. Enfim: vale tudo.

Só não vale cozinhar demais as verduras, deixar perderem
a cor verde-brilhante ou encher de sal e óleo. Né?

 

boca masculina

 

 

PREPARANDO VEGETAIS
Para todos os vegetais existe essa regra de ouro: cozinhar
com pouca água e durante pouco tempo, para eles
conservarem o máximo possível das suas propriedades.

Tem gente que vai cozinhar cenouras. Coloca duas
cenouras cortadas em rodelas lá embaixo e água até a boca
da panela. Quando a cenoura está macia, joga fora um
montão de caldo que leva embora vitaminas e minerais.
Tem gente que vai cozinhar brócolis. Enche a panela
de água. Quando vão para a mesa, as lindas flores verdes
já viraram tristezas marrons que desmancham por
qualquer coisinha.

Quando você for preparar vegetais, já com uma visão
mais natural da comida, lembre-se de que quase todos
eles poderiam ser comidos crus. Levar ao fogo significa
transformar para obter uma comida quente, macia,
trabalhada pelo calor, pela água e pelo tempero. Então
procure experimentar várias formas de fazer a cenoura,
o brócolis ou qualquer outro vegetal. Por exemplo:

1. refogando em pouco óleo o vegetal cortado em pedaços
pequenos ou fatias, mexendo sempre no sentido do
relógio, fogo baixo, sem água, até ficar no ponto;

2. cozinhando no vapor. Para isso você vai precisar de um
cuscuzeiro, ou então de uma grade com pezinhos que se
encaixe dentro de uma panela, ou ainda de uma peneira
que também se encaixe e permita tampar bem a panela;
caso contrário o vapor escapa e não cozinha nada. Em
último caso use um prato do tamanho da boca da panela,
acomode os vegetais, cubra com um guardanapo grande,
amarre as pontas por baixo, vire ao contrário, encaixe na
panela feito tampa e mande brasa. A água fica fervendo
na parte de baixo, não toca no alimento. Esta é uma das
melhores maneiras de preparar vegetais, pois não leva
óleo nem altera o sabor;

3. cozinhando em pouca água, só o suficiente para que
os vegetais absorvam tudo no processo de cozinhar.
Com tampa, fogo muito baixo, balançando de vez em
quando sem destampar. Quando a água seca, os vegetais
estão cozidos e não se perdeu nada importante pelo
caminho. A não ser a vitamina C, que morre no calor.

 

boca Maria Elisa

 

 

Outra regra importante: pouco ou nenhum sal. Às vezes,
uma pitadinha realça o sabor. Mas na maioria dos casos
isso nem é necessário. Já vamos salgar normalmente o
feijão e colocar um pouco de sal no arroz. Pra que mais?
Pra dar hipertensão e sede?

E mais uma: a gente só deve descascar aquilo que tem
casca, como inhame, cará, mandioca, coisas assim.
Cenoura, chuchu, pepino, abobrinha, batata-baroa
(mandioquinha) e outros vegetais que só têm pele devem
ser usados com ela, que é muito nutritiva.

A abóbora-japonesa, a baiana e a moranga também podem
ser preparadas com a casca, que é gostosa e até valoriza o
prato. Uma boa escova dessas de fibra de coco tira todas
as sujeirinhas na hora de lavar.

 

romeu e julieta

 

 

Paçoca
As sementes de gergelim, girassol, abóbora e melancia
são gostosíssimas e muito ricas em vitaminas, minerais,
proteínas e óleos de boa qualidade. Com elas se pode
fazer gostosas paçocas para colocar em cima do mingau
ou de qualquer outra comida. As sementes de gergelim
são fáceis de usar; a receita da paçoca já está lá atrás, com
nome de gersal, isto é: gergelim mais sal.

As de abóbora, girassol e melancia é preciso torrar e
descascar antes de usar. E se quiser uma paçoca doce,
misture com rapadura ralada. Hmmmmm!

Sabia que as sementes de girassol protegem contra
radiações atômicas? Por isso é que, se explodir uma
bomba, só vai sobrar papagaio... Mas, falando sério, é um
dos melhores alimentos que existem. A farinha de girassol
pode ser usada para fazer um delicioso pão e mil comidas
mais. No México os índios fazem com ela um creme
para comer com frango. Aqui o consumo ainda não é
grande, mas já existem saquinhos de sementes de girassol
descascadas e torradas à venda por aí.

Quem sabe um dia todo mundo descobre que o bom alimento
é quase de graça?

 

boca de sino

 

 

Saladas quentes crocantes
É aí que você pode deitar e rolar com toda a sua
criatividade. Se praticamente todos os vegetais podem ser
comidos crus, melhor ainda crocantes, passados rapidinho
pela frigideira com pouquinho azeite e alho. Isso higieniza,
aquece para facilitar a digestão, poupa calor interno e
ao mesmo tempo preserva as enzimas que se perdem no
cozimento. Enzimas são vida. É mais fácil manter a saúde
se 1/3 do prato for de vegetais crocantes.

Algumas combinações para você experimentar:

cenoura, rabanete, pepino, yakon

cenoura, chicória, pepino

alface, beterraba, salsinha

couve-chinesa, cenoura, rabanete

repolho, cebola, cenoura, mel, limão

agrião, maçã, beterraba

cenoura, nabo, chuchu, cebolinha

cenoura, coco ralado (fresco), hortelã, limão

abobrinha, rabanete, azeitona, coentro

abóbora, alface, manjericão...

Corte em tiras, palitos ou fatias finas. Pode misturar
qualquer tipo de folha e folhinhas aromáticas como
manjericão, salsa, coentro, cebolinha. Experimente juntar
coco, amendoim, outras sementes e castanhas, brotos.

Para salada crua, um ralador é muito útil porque faz as
coisas mais duras ficarem fáceis de mastigar.

Mergulhar vegetais picados em água com limão ajuda
a conservar a cor.

Temperar com azeite, limão, sal, pimenta.

Novamente, moderar o sal; não abusar de azeite e
pimenta; se quiser vinagre, existem os naturais de maçã,
de arroz e de vinho. Mas o limão substitui numa boa.

 

boquinha de guardanapo

 

 

Usando triguilho
Triguilho é o grão de trigo moído bem grosso. Conserva
bem as propriedades do grão, contém muita fibra e é
fácil de usar. Basta deixar de molho no mínimo meia
hora para ele inchar. Aí se pode misturar com salada
(o famoso tabule árabe leva triguilho, tomate, cebola,
hortelã, salsa e cebolinha), com sopa, com farofa,
com purê de abóbora, enfim – solte a imaginação!
O sabor é neutro, combina com tudo.

Dá até pra fazer um quibe sem carne juntando um
pouco de farinha de trigo ou de aveia em flocos finos,
temperando bem com cebola, hortelã, cominho, sal e
pondo no forno para assar. Quem tiver ovo de quintal,
ótimo: acrescenta. O quibe fica mais forte. Um recheio
gostoso: azeitona verde picadinha.

 

boquinha de Alceu

 

 

Usando os farelos
Os farelos de arroz e de trigo podem ser acrescentados
a qualquer tipo de comida. Por exemplo: ao preparar
o feijão, junte duas colheres (sopa) de farelo; para
enriquecer o arroz branco (ou o quebradinho, que rende
mais), cozinhe também com farelo. Misture na farofa, nos
bolinhos, nas sopas, nos mingaus. Ele praticamente não
tem gosto nem altera o tempo de cozimento.

Se for comprar nas casas de ração, é bom dividir com os
amigos, parentes e vizinhos, pois só vendem sacos
de trinta quilos.

Prove o farelo de arroz para ver se não está rançoso;
se estiver, não serve.

É bom peneirar os farelos para tirar o grosso das fibras,
torrar levemente e guardar em vidro tampado para eles
ficarem instantâneos, isto é, não precisarem cozinhar.

A dose ideal é: 2 colheres (sopa) de farelo por pessoa
diariamente, seja ele de arroz ou de trigo. Olho vivo: mais
do que isso não é bom, pois o excesso de fibra prejudica a
absorção de sais minerais.

 

boca e colarinho

 

 

Mamadeira e mingau com farelo
Esta é a receita mágica da doutora Clara. Torre
separadamente um copo de farelo de trigo ou de arroz,
um copo de fubá e um copo de outra farinha (de trigo,
mandioca, arroz, araruta, etc); misture e guarde num
vidro tampado.

Quando for preparar a mamadeira, basta
acrescentar ao leite duas colheres de sopa dessa mistura.
Não precisa levar ao fogo, a menos que queira engrossar.

Não se esqueça de acrescentar, depois de tirar do fogo,
uma pitada do pó da folha da mandioca e uma do pó da
casca do ovo. Se a criança estiver desnutrida, acrescente
uma colher de óleo de cozinha.

Para fazer mingau, diminua a quantidade de leite
e aumente a de farinha.

 

boca de lado

 


Queijinho caseiro
Este queijinho é nutritivo, barato, fácil e rápido de fazer.
(Mas, como leite e laticínios em geral, pode aumentar as
alergias e o câncer.) Leve ao fogo um litro de leite; quando
ferver, misture o suco de um limão, mexa bem e pronto,
pode apagar. Você vai ver logo como os coágulos se
separam do soro. Coe num pano, tempere levemente com
sal e use para passar no pão, acompanhar doces, preparar
pizzas ou pratos de forno. Reserve o soro, que
é muito nutritivo, para aproveitar em sopas, mingaus e
até como refresco, principalmente na alimentação de
crianças e velhinhos.

 

boca de traços

 

 

Doces naturais de frutas
Esta é uma boa mágica natureba. Pegue uma dúzia de
bananas bem maduras, ou de maçãs; descasque e corte;
ponha numa panela grossa ou de pressão; junte só um
dedinho de água e duas pitadinhas de sal. Leve ao fogo
e deixe cozinhando em fogo baixo, com tampa, durante
quinze minutos se for na pressão ou meia hora na panela
normal. Então olhe... e veja que compota maravilhosa
aconteceu! Tremendamente doce, e sem usar um só
grãozinho de açúcar! Como é que pode?

Simples: toda fruta contém a doçura natural da
frutose. Alguns vegetais, como a cana e a beterraba,
também têm. Quando a gente cozinha, essa doçura se
concentra. E o sal ajuda a puxar o sabor.

Se quiser um doce mais consistente, é só deixar
cozinhando. Quanto mais cozinha, mais doce fica.
Ah: um pauzinho de canela e dois cravinhos-da-índia
combinam muito bem.

Experimente esta mesma fórmula com qualquer fruta
madura: mamão, manga, caqui, goiaba, abacaxi, caju, figo,
enfim — qualquer fruta naturalmente doce. E diga adeus
ao açúcar branco e aos adoçantes artificiais!

 

boca suave

 

 

DICAS BOAS DE BOCA
O tempero verde (salsa, cebolinha, coentro, hortelã,
manjericão, etc) tem alto valor nutritivo, e até
desinfetante, mas perde muito se for cozido mais
de um minuto; é melhor acrescentar depois de apagar
o fogo, ou na hora de servir.

Dica da doutora Clara para combater verminose:
temperar os alimentos cada dia com um tipo de planta
vermífuga — no primeiro, hortelã; no segundo, alho;
no terceiro, coentro; no quarto, erva-de-santa-maria.
Temperar o prato com algumas gotas de limão ajuda o
corpo a absorver o ferro da comida.

Rapadura é mais saudável do que chiclete ou bala.

A casca da banana também alimenta! Pode ser picada
e misturada ao refogado da farofa, depois de bem
lavadinha. Por que jogar fora o que é bom?

O farelo de arroz ajuda a curar feridas: peneirar, torrar,
misturar com água e colocar por cima. Sem esquecer
que comer farelo também fortalece o sangue.

A entrecasca do aipim, cozida, parece palmito. É aquela
camada branca, lisinha, logo abaixo da casca.

Só o caldo do feijão não alimenta as crianças; tem que dar
o feijão mesmo, amassado no garfo ou peneirado.

Fubá, farelos e farinhas se conservam melhor quando
são torrados. Também ficam mais fáceis de digerir e
permitem preparar sopas e mingaus em menos tempo.

É bom cozinhar sempre com colher de pau. As panelas
de alumínio, quando mexidas com colher de metal,
soltam fragmentos de alumínio que o corpo não consegue eliminar.

As panelas de ferro, pedra, barro, cerâmica, inox e vidro são
boas. As esmaltadas não podem ter trincas e machucados
porque se tornam tóxicas. As antiaderentes são as piores:
seu revestimento antigrude libera toxinas cancerígenas
quando aquecido.

O vinagre, quando entra em contato com a panela de
alumínio, fica extremamente tóxico.

Os chás de ervas devem ser preparados em bules de
louça ou panelas esmaltadas, não de alumínio.

Quem está de dieta pode comer cinco ou seis refeições
leves por dia, para não sentir tanta fome; quem não está
pode se limitar a desjejum, almoço e jantar.

No verão é bom comer frutas, que refrescam o corpo;
no inverno é bom comer sementes, que guardam calor
e energia para brotar. Quem come frutas no inverno
sente mais frio, quem come sementes no verão, mais calor.

Frutas são gostosas e nutritivas, mas nem todos se dão
bem com elas. Vegetais podem ser mais adequados.

 

boquinhas felizes  

 

BOCA FELIZ!
Pronto. Doeu? Nem um pouco? Então já podemos parar
por aqui e esperar pra ver o que acontece.

A vantagem de melhorar a alimentação é que os efeitos
são muito rápidos. Você começa a comer fibras e zapt!,
no dia seguinte o cocô melhora; você começa a comer
verduras e vupt!, todo mundo nota como sua pele está
mais bonita. O mau hálito desaparece, a boa disposição
aumenta, os pesadelos acabam, a conta da farmácia
evapora, a cabeça fica mais arejada.

Se um dia ou outro você abusa das coisas mais pesadas
ou menos nutritivas, não faz mal — agora já conhece o
caminho de consertar.

Fala-se muito em preservar a natureza. Mas a preservação
da natureza tem que começar em casa, pelo corpo, que
afinal é a nossa natureza individual. Estragá-lo com coisas
ruins é como devastar a floresta. E você pode apostar: as
pessoas que mais agridem o meio ambiente são as que
também agridem a si mesmas através da má alimentação,
do cigarro, do álcool, da ganância, do poder.

Bom apetite — boca feliz pra você!

 

boca Liza

 

 

BOCA FELIZ: ICONOGRAFIA
Por ordem de entrada: o olhar de um menino turco nos tempos
de Ataturk, foto Munkacsi. O riso de Carmem Miranda sob um
turbante com mais de doze guarda-soizinhos lantejoulados.
Talvez fosse Atena, olhava para oeste num templo da ilha de
Egina, Grécia, período arcaico tardio. Brocas Revelation para
dentina, a última palavra no início dos anos 50. Outro menino
turco, Munkacsi. Jovem orangotango de Bornéu, adotado em
1856 pelo naturalista inglês Alfred Russel Wallace, gostava
de banho de bica. Moça pronta para a corte imperial britânica,
segundo a revista La Belle Assemblée, 1819. Príncipe hindu
em pleno tantra: século 18. Remador bebum de uma barca
no Mosela, arte provincial romana, Renânia, século 2. Lucy
ameaçando Linus: Schultz. A Temperança: Holanda, 530,
Lucas van Leyden. Homem bem-proporcionado: 1528, Dürer.
Cartaz para a exposição do movimento da Secessão: Viena,
1904, Koloman Moser. Deusa entronizada: Grécia arcaica, 480
AC. Flagrando a câmera de Erich Salomon: Paris, 1931. Lord
Byron por Thomas Phillips, século 19. Pixinguinha na casa
do filho: Rio, 1972, foto José Mariani. Federico Garcia Lorca:
Granada, anos 30. Moça de Chios: Grécia clássica, século 3 aC.
Da coleção japonesa indabokku (Kinderbook), 1928. Sganarelle,
do Don Juan de Molière, edição de Londres, 1986. Audrey
Beardsley. A atriz Iris Tree: 1931, foto Man Ray. Katharine
Hepburn: 1939, Munkacsi. Dançando: Harper's Bazaar, 1937,
Munkacsi. Moça nua: 1931, Man Ray. Marca da revista japonesa
Tai-Yo, O Sol, 1979. Hakoô-maru montada num búfalo: 1841,
Okumura Tashinobu. O designer Anton Lavinski: construtivismo
russo, 1923, foto Rodchenko. Maria: Alagoas, 1976, foto Ricardo
Uchoa. Do Mês de Abril, afresco no palácio Schifanoia, Ferrara,
século 15, Francesco del Cossa. Kiki de Montparnasse: 1926,
Man Ray. Partitura de Tokyo Rhapsody: 1937. O ator japonês
Nakayama Tomisaburô como Miyagino, xilo, 1793, Tôshusai
Saraku. No centro de Havana: 1932, Walker Evans. Na Festa
do Filho Pródigo: 1519, Lucas van Leyden. Ali Baba na capa do
Quarenta Ladrões: 1901, Beardsley. Dora Maar deitada: 1836,
Man Ray. Moça extrovertida de biquini: 1986, Cesar Lobo.
Lee Miller: 1930, Man Ray, especialista em bocas definitivas.
Santos Dumont, que dizia sentir uma alegria selvagem ao
voar, caricaturado pelo francês Sem. Agradecemos a todos e
em especial a Tania Quaresma, Bia Paes Leme, Semíramis de
Queiroz Montenegro, Joana Montenegro, Vera Bernardes, Sula
Danowski, Gloria Aflalo, Silvia Vianna, José Mariani, Ricardo
Uchoa, San Alice Hashimoto e a um amável professor de
alemão. NML

Dicas odontológicas: Cristina Fonseca e Carlos Alberto Djahdjah.
Revisão, Maria de Fátima Barbosa e Maria da Gloria Carvalho.
Leiaute e iconografia, Newton Montenegro de Lima. Primeira
edição, 1989. Em 1996 passa a incluir o livreto Inhame Inhame
com capa redesenhada por Cesar Lobo. Atualizado em 2011.

©Sonia Hirsch / Correcotia 1989 - 2011
www.correcotia.com ~ www.soniahirsch.com

Informação liberada para reprodução



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